FabNS, instalada no BH-TEC, desenvolve tecnologia de nanoscopia e conquistou reconhecimento entre centenas de startups latino-americanas.
Uma empresa de tecnologia nascida dentro da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ganhou projeção internacional ao ser reconhecida como Deep Tech do Ano de 2026 na América Latina. A FabNS, criada a partir de pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Nanoespectroscopia da universidade e atualmente residente no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), conquistou o primeiro lugar durante o Deep Tech Summit 2026, realizado em São Paulo.
A conquista coloca uma tecnologia desenvolvida em Minas Gerais entre os destaques do ecossistema latino-americano de inovação. Segundo as informações divulgadas pela UFMG e pelo BH-TEC, a seleção envolveu mais de 400 deep techs da América Latina, com empresas que trabalham em áreas científicas de alta complexidade. A FabNS se destacou principalmente pelo desenvolvimento de equipamentos avançados para observar e estudar materiais em escala nanométrica.
Tecnologia nasceu de pesquisas realizadas dentro da UFMG
A história da FabNS está diretamente ligada ao ambiente científico da UFMG. A empresa surgiu a partir do Laboratório de Nanoespectroscopia, onde pesquisadores trabalham com técnicas destinadas a investigar materiais em escalas extremamente pequenas. A transformação desse conhecimento acadêmico em uma empresa mostra um caminho importante para aproximar universidades e mercado.
Deep techs possuem características diferentes das startups voltadas principalmente para aplicativos ou serviços digitais. Normalmente, essas empresas nascem de descobertas científicas, pesquisas de laboratório e tecnologias que exigem anos de desenvolvimento. Áreas como nanotecnologia, biotecnologia, novos materiais, computação quântica e inteligência artificial avançada aparecem frequentemente nesse segmento.
No caso da FabNS, o conhecimento acumulado durante anos de pesquisa permitiu desenvolver instrumentos capazes de observar propriedades de materiais em escalas que não são acessíveis a microscópios ópticos convencionais. Essa capacidade pode ser importante para pesquisadores que estudam novos materiais, semicondutores, dispositivos eletrônicos e outras tecnologias nas quais pequenas alterações estruturais podem produzir grandes diferenças de desempenho.
A empresa está instalada atualmente no BH-TEC, parque tecnológico que reúne empresas inovadoras e mantém forte conexão com universidades e centros de pesquisa. Essa proximidade cria um ambiente no qual conhecimento científico, infraestrutura e empreendedorismo podem funcionar de maneira integrada, ajudando pesquisadores a transformar descobertas acadêmicas em produtos comercializáveis.
Nanoscópio consegue investigar materiais em escala extremamente pequena
Entre as tecnologias desenvolvidas pela FabNS está um nanoscópio óptico capaz de realizar análises em escala aproximada de um nanômetro. Para dimensionar essa escala, um nanômetro corresponde a um bilionésimo de metro. Trabalhar nesse nível permite investigar características que simplesmente não podem ser observadas utilizando equipamentos ópticos tradicionais.
A tecnologia combina recursos avançados de microscopia e espectroscopia para analisar propriedades físicas e químicas dos materiais. Em vez de simplesmente ampliar uma imagem, o equipamento pode fornecer informações que ajudam cientistas a compreender como determinadas estruturas se comportam. Isso abre possibilidades para pesquisas em diferentes setores tecnológicos.
Uma das aplicações está relacionada aos semicondutores, componentes fundamentais para computadores, smartphones, veículos e praticamente toda a infraestrutura digital moderna. À medida que chips ficam menores e mais complexos, técnicas capazes de analisar materiais em escala nanométrica tornam-se cada vez mais importantes para pesquisa e desenvolvimento.
A tecnologia também pode ser utilizada em estudos relacionados a energia, novos materiais e aplicações biomédicas. Cada uma dessas áreas depende da compreensão detalhada das propriedades dos materiais utilizados. Ter acesso a equipamentos avançados desenvolvidos no próprio país pode reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras e facilitar determinadas linhas de pesquisa.
Reconhecimento fortalece ecossistema tecnológico de Minas Gerais
A vitória da FabNS no Deep Tech Summit possui importância que ultrapassa a própria empresa. O reconhecimento evidencia a capacidade de Minas Gerais de transformar pesquisa universitária em tecnologia de alta complexidade, algo considerado fundamental para aumentar a competitividade científica e industrial do país.
Belo Horizonte já concentra universidades, centros de pesquisa, startups e estruturas voltadas à inovação. A presença da UFMG e do BH-TEC ajuda a formar um ambiente no qual pesquisadores podem encontrar apoio para levar descobertas além dos laboratórios. A FabNS representa justamente essa transição entre ciência acadêmica e aplicação comercial.
O prêmio também ocorre em um momento de maior interesse pelas chamadas deep techs. Diferentemente de negócios digitais que podem crescer rapidamente utilizando tecnologias já disponíveis, empresas desse segmento normalmente enfrentam ciclos mais longos de desenvolvimento. Elas precisam validar descobertas científicas, construir equipamentos, realizar testes e encontrar mercados capazes de utilizar soluções altamente especializadas.
Por outro lado, quando essas tecnologias chegam ao mercado, podem criar vantagens competitivas difíceis de reproduzir. Um instrumento científico desenvolvido a partir de anos de pesquisa e conhecimento especializado possui barreiras tecnológicas maiores do que produtos facilmente replicáveis. Essa característica explica por que governos, universidades e investidores estão aumentando a atenção dedicada às deep techs.
Para a UFMG, o reconhecimento também demonstra uma possibilidade concreta de transferência de conhecimento para a sociedade. Pesquisas financiadas e desenvolvidas dentro das universidades podem gerar empresas, empregos especializados, propriedade intelectual e equipamentos capazes de atender outros pesquisadores e setores industriais.
O avanço de empresas desse tipo pode ainda ajudar Minas Gerais a diversificar sua economia tecnológica. O estado possui tradição em mineração, indústria e engenharia, mas também vem desenvolvendo um ecossistema ligado a software, inteligência artificial, biotecnologia e nanotecnologia. A combinação dessas áreas pode criar novas oportunidades de negócios baseados em conhecimento científico.
A conquista da FabNS entre centenas de empresas latino-americanas reforça esse movimento. Mais do que um prêmio para uma startup, o resultado coloca em evidência uma tecnologia que começou dentro de um laboratório mineiro e conseguiu avançar em direção ao mercado. É um exemplo de como pesquisa científica, empreendedorismo e infraestrutura de inovação podem transformar conhecimento produzido em Minas Gerais em tecnologia com alcance internacional.
Fontes:
- UFMG — 21/08/2026: Empresa residente no BH-TEC, criada em laboratório da UFMG, é a deep tech do ano na América Latina. É a principal fonte institucional e confirma que a FabNS nasceu no Laboratório de Nanoespectroscopia da UFMG e superou mais de 400 startups. (ufmg.br)
- UFMG — 19/08/2026: Empresa residente no BH-TEC é a “deep tech” do ano na América Latina. Traz detalhes sobre o nanoscópio óptico Porto, principal produto da empresa, e sobre a competição. (ufmg.br)
- Diário do Comércio — 19/08/2026: Startup mineira criada na UFMG supera 400 empresas e é eleita Deep Tech do Ano na América Latina. Fonte jornalística independente que repercute a premiação e a trajetória da startup mineira. (diariodocomercio.com.br)
- BH-TEC: Notícias do Parque Tecnológico de Belo Horizonte. O BH-TEC publicou em 18/08 a cobertura da conquista da FabNS e acompanha outras iniciativas da empresa. (bhtec.org.br)
- BH-TEC — CERN: FabNS entra para programa do CERN e amplia presença internacional. A fonte ajuda a contextualizar a projeção internacional da empresa e informa que ela se tornou a primeira da América Latina a integrar o CERN Venture Connect. (bhtec.org.br)

