Nova estratégia do SUS mineiro estabelece cirurgia em até 48 horas e vincula incentivo financeiro ao desempenho dos hospitais.
Minas Gerais aprovou uma nova estratégia para reorganizar o atendimento de idosos com fratura proximal do fêmur, uma das consequências mais graves das quedas nessa faixa etária. A medida foi pactuada na Comissão Intergestores Bipartite do SUS de Minas Gerais (CIB-SUS/MG) e divulgada pelo Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (Cosems-MG) em 25 de agosto. A proposta é tratar esses casos com uma lógica de urgência semelhante à utilizada para condições como infarto e acidente vascular cerebral. (cosemsmg.org.br)
O principal objetivo é reduzir o intervalo entre a entrada do paciente na rede de saúde e a realização do tratamento cirúrgico definitivo. A nova linha estabelece como referência a realização da cirurgia em até 48 horas, sempre considerando as condições clínicas do paciente. Segundo as informações apresentadas na CIB, atrasos superiores a esse período estão associados a maior mortalidade, aumento das complicações e permanências hospitalares mais prolongadas. (cosemsmg.org.br)
Por que a fratura de fêmur em idosos exige atendimento rápido
A fratura do quadril está entre as lesões mais preocupantes decorrentes de quedas na população idosa. Com o envelhecimento, alterações como redução da massa muscular, dificuldades de equilíbrio e fragilidade óssea podem aumentar tanto o risco de quedas quanto a possibilidade de uma lesão grave depois do acidente. O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) destaca as fraturas de quadril entre as ocorrências frequentes após quedas em idosos. (into.saude.gov.br)
O problema não termina no osso fraturado. Uma pessoa idosa que permanece imobilizada durante muito tempo pode enfrentar diferentes complicações relacionadas à hospitalização e à perda de mobilidade. Por isso, organizar rapidamente diagnóstico, avaliação clínica, encaminhamento e tratamento cirúrgico é uma etapa importante para melhorar a recuperação.
A estratégia aprovada em Minas estabelece uma Linha de Cuidado da Fratura do Fêmur Proximal na Pessoa Idosa. A ideia é reorganizar a rede assistencial para que esses pacientes sejam identificados e encaminhados com maior agilidade aos serviços capazes de oferecer o tratamento necessário. A referência de até 48 horas passa a ser um indicador central para avaliar o desempenho do atendimento. (cosemsmg.org.br)
De acordo com o Cosems-MG, a justificativa apresentada durante a pactuação é que o atraso cirúrgico superior a 48 horas pode quase dobrar a mortalidade e elevar significativamente a ocorrência de complicações e o número de dias de internação. Dessa forma, diminuir o tempo de espera pode produzir efeitos tanto sobre o prognóstico do paciente quanto sobre a utilização dos leitos hospitalares. (cosemsmg.org.br)
Hospitais terão desempenho acompanhado pelo SUS mineiro
Uma das principais novidades é que a estratégia não ficará limitada a uma recomendação clínica. O cumprimento das metas será associado ao Valora Minas, programa estadual que utiliza indicadores para orientar parte do financiamento da rede hospitalar. Isso cria um mecanismo financeiro para estimular hospitais a reorganizarem fluxos e reduzirem o tempo necessário até a cirurgia. (cosemsmg.org.br)
Na avaliação prevista, o tempo para realização do procedimento terá peso especialmente elevado. Segundo o Cosems-MG, 70% do indicador estará relacionado ao cumprimento da meta de cirurgia em menos de 48 horas. Os outros 30% serão associados à eficiência hospitalar medida por DRG, metodologia utilizada para avaliar características e resultados das internações. (cosemsmg.org.br)
A vinculação do incentivo aos resultados representa uma tentativa de transformar a rapidez do atendimento em um objetivo mensurável da rede. Em vez de avaliar apenas a existência de serviços ou a quantidade de procedimentos realizados, a política também passa a considerar quanto tempo o paciente permanece esperando pela intervenção considerada necessária.
Para os hospitais, cumprir a meta dependerá de diferentes etapas funcionando de maneira coordenada. Diagnóstico por imagem, avaliação clínica, disponibilidade de equipe cirúrgica, anestesia, leitos e organização do centro cirúrgico fazem parte do caminho até a realização do procedimento. Uma falha em qualquer um desses pontos pode aumentar o tempo de espera.
Envelhecimento aumenta importância da prevenção e do cuidado integrado
A criação da linha de cuidado também chama atenção para a necessidade de evitar que a queda aconteça. O Into recomenda medidas como exercícios voltados ao fortalecimento muscular e equilíbrio, acompanhamento periódico da saúde, revisão do uso de medicamentos e correção de problemas de visão. Mudanças simples dentro das residências também podem reduzir riscos. (into.saude.gov.br)
Entre as adaptações recomendadas estão retirar ou fixar tapetes soltos, melhorar a iluminação dos ambientes, instalar barras de segurança em banheiros e utilizar calçados com solado adequado. Escadas, pisos desnivelados e obstáculos nas áreas de circulação também merecem atenção, principalmente em residências onde vivem pessoas com dificuldade de locomoção. (into.saude.gov.br)
Quando a queda não pode ser evitada e ocorre uma fratura grave, a organização da assistência passa a ser decisiva. O modelo aprovado em Minas busca justamente conectar atendimento inicial, regulação e tratamento hospitalar dentro de uma estratégia que considere a fratura proximal do fêmur uma condição que exige resposta rápida.
A iniciativa foi aprovada junto a outras mudanças importantes na rede de saúde mineira durante a CIB de agosto. Entre elas estão a criação da Rede Mineira de Dados em Saúde, investimentos em telecardiologia para o SAMU, ampliação de leitos de terapia intensiva e ajustes no financiamento da neurocirurgia de alta complexidade. (cosemsmg.org.br)
A implantação da nova linha terá como desafio transformar a meta definida no âmbito estadual em mudanças concretas na rotina dos hospitais. Minas possui municípios com estruturas assistenciais muito diferentes, e pacientes de determinadas regiões precisam ser transferidos para unidades que disponham de equipes e recursos especializados.
A política, porém, estabelece um parâmetro objetivo: reduzir a espera para que idosos com fratura proximal do fêmur tenham acesso ao procedimento definitivo em até 48 horas. Ao associar essa meta ao financiamento hospitalar, Minas Gerais tenta fazer com que rapidez e eficiência passem a integrar diretamente a avaliação da assistência.
Para pacientes e familiares, a mudança pode representar uma jornada mais organizada em um momento particularmente delicado. Uma fratura de fêmur pode provocar perda de autonomia e desencadear complicações importantes na população idosa. A nova linha de cuidado coloca o tempo de atendimento no centro da estratégia e reforça que, nesse tipo de trauma, cada hora de espera pode fazer diferença para a recuperação e para a segurança do paciente. (cosemsmg.org.br)

