Segundo o médico radiologista, Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a mamografia ainda representa uma das principais ferramentas para detectar alterações suspeitas nas mamas em fase inicial, mas o acesso ao exame continua desigual. Dessa maneira, a dificuldade não está apenas na existência do equipamento, mas no caminho que a mulher precisa percorrer até conseguir realizar, receber e interpretar o resultado. Esse desafio envolve distância, renda, informação, medo, organização da rede de saúde e continuidade do cuidado.
Assim sendo, discutir o tema exige olhar para a realidade prática de quem depende do rastreamento, mas encontra barreiras antes mesmo de chegar ao serviço. Com isso em mente, continue lendo e entenda por que ampliar o acesso à mamografia exige mais do que aumentar a oferta de exames.
Por que a distância ainda limita o acesso ao exame?
Em muitas regiões, a mamografia não está disponível perto da população que mais precisa dela. Mulheres que vivem em áreas rurais, periferias urbanas ou cidades pequenas podem depender de deslocamentos longos, transporte irregular e agendas concentradas em centros maiores. Com isso, o exame deixa de ser uma etapa simples de prevenção e passa a exigir planejamento, tempo e custo.
De acordo com o Dr. Vinicius Rodrigues, ex-secretário de Saúde, a barreira geográfica afeta especialmente quem já enfrenta uma rotina de trabalho extensa, cuidado com familiares e menor autonomia para se deslocar. Mesmo quando há encaminhamento médico, a distância pode atrasar a realização do exame e reduzir a adesão ao rastreamento periódico.
Além disso, o problema não termina no deslocamento até o mamógrafo, como pontua o Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues. Muitas mulheres também precisam retornar para buscar laudos, levar resultados à consulta e, em alguns casos, realizar exames complementares. Desse modo, quando cada etapa depende de uma nova viagem, o risco de abandono do acompanhamento aumenta.
Como fatores sociais e econômicos dificultam a mamografia?
O acesso à mamografia também depende de condições sociais que nem sempre aparecem nas estatísticas. Falta de dinheiro para transporte, impossibilidade de faltar ao trabalho, ausência de rede de apoio e baixa flexibilidade de horários tornam o exame mais difícil para mulheres em situação de vulnerabilidade.
Conforme frisa o Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, médico radiologista, a prevenção precisa considerar o cotidiano real das pacientes. Por exemplo, quando o serviço funciona apenas em horários comerciais, mulheres que trabalham sem vínculo formal ou sem direito a dispensa podem adiar o exame por medo de perder renda. Isto posto, entre as principais barreiras econômicas e sociais, destacam-se:
- Custo indireto: transporte, alimentação e perda de um dia de trabalho podem pesar no orçamento.
- Falta de tempo: jornadas duplas ou triplas reduzem a disponibilidade para consultas e exames.
- Baixa oferta local: poucos equipamentos aumentam filas e deslocamentos.
- Dependência familiar: cuidado com filhos, idosos ou pessoas doentes pode impedir a ida ao serviço.
- Desigualdade de informação: muitas mulheres não sabem quando procurar o exame ou como agendar.
Esses fatores mostram que o acesso não se resume à existência da mamografia. Portanto, para que o rastreamento funcione, a rede precisa reduzir obstáculos práticos e aproximar o exame da vida cotidiana das mulheres.

Quais barreiras culturais interferem no rastreamento?
Medo, vergonha, desinformação e experiências negativas anteriores também afastam muitas mulheres da mamografia. Algumas associam o exame apenas à suspeita de câncer, o que gera ansiedade. Outras evitam o procedimento por receio de dor, exposição do corpo ou dificuldade de conversar sobre saúde mamária.
Tendo isso em vista, o Dr. Vinicius Rodrigues expõe que a comunicação tem papel decisivo nesse processo. Explicar o objetivo da mamografia, o tempo de duração, o possível desconforto e a importância do acompanhamento ajuda a reduzir inseguranças. Assim, quando a mulher compreende o exame, a decisão tende a ser menos marcada pelo medo.
Também existe o peso de crenças familiares e comunitárias. Em alguns contextos, a prevenção ainda recebe menos atenção do que o tratamento de sintomas. Por isso, campanhas e orientações precisam ser claras, respeitosas e adaptadas à realidade de cada público.
Ampliar o acesso exige cuidado contínuo
Em última análise, garantir o acesso à mamografia significa enfrentar barreiras que se acumulam. Distância, renda, medo, falta de informação e falhas estruturais não agem isoladamente. Elas se combinam e tornam o rastreamento mais difícil justamente para quem depende de uma rede mais próxima, acolhedora e eficiente.
Desse modo, ampliar o acesso exige organização, comunicação e continuidade. O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues finaliza e salienta que a mamografia precisa estar inserida em um cuidado capaz de orientar, acolher, diagnosticar e acompanhar cada mulher com segurança. Somente assim o exame deixa de ser uma possibilidade distante e passa a funcionar como ferramenta concreta de prevenção.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

