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Classificação de risco: como ativos inadimplidos estão mudando a prática do mercado com Felipe Rassi

Diego Velázquez
julho 21, 2026 6 Min de leitura
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Felipe Rassi
Felipe Rassi
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Existe uma ideia difundida de que, uma vez formalizada a inadimplência, um crédito deixa de ter qualquer classificação de risco relevante, restando apenas negociar seu valor de face com deságio. Felipe Rassi, especialista em créditos estressados, questiona essa leitura ao mostrar que o rating de crédito continua cumprindo um papel central mesmo depois que um ativo se torna inadimplido, apenas com metodologia diferente da usada para crédito performado.

Contents
O que significa, afinal, dar rating a um crédito já inadimplido?Por que essa confusão persiste no mercado?O papel do rating na precificação de carteirasGovernança e padronização ajudam a consolidar essa práticaEntender o rating de NPL é entender a lógica da recuperação

Essa confusão nasce de um mal-entendido sobre o que o rating realmente mede. Não se trata de avaliar se o devedor vai pagar no prazo original, algo que já deixou de acontecer, mas de estimar a probabilidade e a velocidade de recuperação daquele crédito específico dentro de um horizonte de tempo definido. Entender essa diferença muda completamente a forma como investidores interpretam relatórios de classificação aplicados a carteiras de NPL, e vale a pena acompanhar como essa metodologia funciona na prática.

O que significa, afinal, dar rating a um crédito já inadimplido?

O rating de crédito aplicado a ativos inadimplidos é uma classificação que estima a probabilidade de recuperação de um crédito já em situação de inadimplência, considerando fatores como tipo de garantia, estágio processual e histórico de tentativas de cobrança. Diferente do rating tradicional, ele não mede risco de default, que já ocorreu, mas sim risco de recuperação.

Essa distinção metodológica é o que permite que agências e casas de análise sigam classificando carteiras de crédito inadimplido, mesmo sem poder aplicar os mesmos critérios usados para avaliar crédito performado. O objeto de análise muda, mas a lógica de atribuir uma nota comparável entre diferentes ativos permanece.

Por que essa confusão persiste no mercado?

Parte do problema vem do vocabulário herdado do mercado de crédito performado, em que rating é sinônimo de probabilidade de pagamento pontual. Quando esse vocabulário é transposto sem ajuste para o universo de crédito inadimplido, cria-se a impressão de que a nota perdeu sentido, já que o evento que o rating tradicional tenta prever já aconteceu.

Felipe Rassi observa, dentre esse panorama, que essa transposição malfeita de conceitos é um dos motivos pelos quais investidores menos familiarizados com o mercado de NPL desconfiam de qualquer classificação aplicada a esse tipo de ativo. Na prática, porém, a métrica apenas muda de foco, deixando de olhar para trás e passando a olhar para frente, na direção da recuperação esperada.

O papel do rating na precificação de carteiras

Quando disponível, essa classificação funciona como um insumo relevante para a precificação de carteiras, complementando a due diligence documental feita diretamente pelo comprador. Felipe Rassi pondera que nenhuma nota de rating substitui a verificação crédito a crédito, mas ela ajuda a organizar a análise inicial e a identificar, rapidamente, quais créditos dentro de uma carteira grande merecem atenção prioritária.

Felipe Rassi
Felipe Rassi

Esse uso combinado, entre classificação de risco e due diligence direta, tende a produzir uma precificação mais consistente do que depender exclusivamente de qualquer uma das duas fontes isoladamente. A nota orienta, mas não substitui o exame documental detalhado de cada crédito relevante dentro do conjunto negociado.

Governança e padronização ajudam a consolidar essa prática

A padronização de metodologias de rating para crédito inadimplido acompanha o processo mais amplo de profissionalização do mercado de NPL no Brasil. Quanto mais consistentes forem os critérios usados entre diferentes analistas e agências, maior a confiabilidade da nota atribuída e maior a disposição de investidores institucionais em considerar essa classificação como parte do processo de decisão.

Em vista disso, Felipe Rassi nota que esse processo de padronização ainda está em construção no mercado brasileiro, mas já mostra sinais de amadurecimento, à medida que mais dados históricos de recuperação se acumulam e permitem calibrar modelos com maior precisão ao longo do tempo.

Entender o rating de NPL é entender a lógica da recuperação

Reconhecer que ativos inadimplidos também podem ser classificados por risco, ainda que sob uma lógica diferente da usada para crédito performado, muda a forma como investidores e analistas interpretam esse mercado. A nota de rating deixa de parecer um contrassenso e passa a ser vista como uma ferramenta legítima de organização de risco dentro de um universo naturalmente mais complexo.

Conforme considera Felipe Rassi, compreender essa lógica é o que permite ao investidor ir além do julgamento superficial de que todo crédito inadimplido é, por definição, um ativo de risco indistinto. Existe hierarquia de risco mesmo dentro da inadimplência, e é exatamente essa hierarquia que o rating de crédito tenta capturar.

 

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