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Quando manter a operação deixa de ser a melhor escolha: Rodrigo Gonçalves Pimentel comenta sobre a conversão de ativos industriais

Diego Velázquez
maio 22, 2026 7 Min de leitura
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Rodrigo Gonçalves Pimentel
Rodrigo Gonçalves Pimentel
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Rodrigo Gonçalves Pimentel, advogado e filho do desembargador Sideni Soncini Pimentel, costuma fazer uma pergunta que desconforta muitos empresários: quanto da energia que você gasta mantendo essa operação viva seria melhor empregado em uma estrutura que gera o mesmo retorno com muito menos risco? A pergunta não é retórica. Ela aponta para uma realidade que famílias com ativos industriais frequentemente resistem a encarar: há um momento em que a operação deixa de ser o melhor veículo para preservar e ampliar o patrimônio, e reconhecer esse momento com clareza é, em si, um ato de inteligência estratégica. Continue a leitura para entender como identificar esse ponto de inflexão e quais caminhos estão disponíveis para famílias que decidem dar esse passo.

Contents
O peso invisível de manter uma operação além do prazo certoTrês sinais de que a conversão pode ser o caminho mais inteligenteDa fábrica ao galpão: como a conversão funciona na prática?O que a conversão exige do ponto de vista jurídico e patrimonial?Adaptar é uma forma de preservar

O peso invisível de manter uma operação além do prazo certo

Operações industriais têm custos que aparecem no balanço e custos que não aparecem. Os que aparecem são conhecidos: folha de pagamento, insumos, manutenção, logística. Os que não aparecem são mais difíceis de mensurar, mas igualmente reais: o tempo de liderança consumido por decisões operacionais que deveriam estar sendo dedicadas à estratégia, o capital imobilizado em estruturas que rendem abaixo do seu potencial e a energia familiar gasta na gestão de um negócio que nenhum herdeiro tem vocação ou desejo real de conduzir.

Rodrigo Gonçalves Pimentel
Rodrigo Gonçalves Pimentel

Na análise de Rodrigo Gonçalves Pimentel, o momento em que esses custos invisíveis superam os benefícios da operação é o momento em que a pergunta sobre conversão precisa ser feita com seriedade. Não como uma admissão de fracasso, mas como um reconhecimento de que o patrimônio merece uma estrutura mais eficiente do que aquela que foi construída para um contexto que já não existe. Ignorar esse momento não preserva o legado. Apenas adia o custo de uma decisão que, quanto mais tardia, mais cara se torna.

Três sinais de que a conversão pode ser o caminho mais inteligente

Nem toda operação industrial deve ser convertida. Mas há sinais que, quando presentes em combinação, indicam que a análise precisa ser feita com urgência e honestidade. O primeiro é a dependência operacional de um único gestor, geralmente o fundador, sem perspectiva clara de sucessão por parte dos herdeiros. O segundo é a queda progressiva de rentabilidade em um mercado que se transformou de forma estrutural, não conjuntural. O terceiro é a percepção, entre os membros da família, de que a operação é mais uma fonte de tensão do que de prosperidade compartilhada.

Quando esses três sinais coexistem, manter a operação pelo apego ao que ela representou no passado é uma decisão emocional disfarçada de estratégica. Como observa Rodrigo Gonçalves Pimentel, o patrimônio não tem memória afetiva. Ele responde a critérios objetivos de eficiência, risco e retorno. E quando esses critérios apontam para a conversão, a lealdade ao legado familiar se expressa melhor na decisão de adaptar do que na insistência de manter.

Da fábrica ao galpão: como a conversão funciona na prática?

A conversão de um ativo industrial em fonte de renda passiva pode assumir diferentes formas, dependendo das características do ativo e dos objetivos patrimoniais da família. Entre os caminhos mais utilizados estão:

  • A transformação da planta fabril em galpão logístico destinado à locação, aproveitando a infraestrutura existente para atender à demanda crescente por espaços de armazenagem e distribuição, com contratos de longo prazo e inquilinos de alta qualidade creditícia;
  • O licenciamento da marca e do modelo de negócio em formato de franquia, pelo qual a família passa a receber royalties sem precisar operar diretamente, transferindo a responsabilidade da gestão para operadores independentes;
  • A venda da operação com retenção do imóvel, estratégia que desfaz o negócio, mas preserva o ativo imobiliário como fonte de renda locatícia de longo prazo.

Em cada um desses caminhos, o resultado central é o mesmo: o risco operacional é transferido para terceiros, e a família passa a ocupar a posição de proprietária de um ativo que gera renda de forma previsível, sem a complexidade e a exposição inerentes à gestão direta de uma operação industrial.

O que a conversão exige do ponto de vista jurídico e patrimonial?

Converter um ativo industrial não é uma decisão que se implementa de forma simples. Ela exige uma análise jurídica detalhada que contemple os contratos vigentes, as obrigações trabalhistas decorrentes do encerramento ou da transferência da operação, as implicações tributárias da conversão escolhida e a forma como o ativo convertido será integrado à estrutura patrimonial da família. Sem esse planejamento, a conversão pode gerar passivos que comprometem justamente o objetivo que motivou a decisão.

Sob a perspectiva de Rodrigo Gonçalves Pimentel, a conversão bem-sucedida de um ativo industrial é sempre o resultado de um processo estruturado, conduzido com assessoria técnica especializada e integrado a uma visão patrimonial mais ampla. O ativo convertido precisa encontrar seu lugar dentro de uma arquitetura que inclua holding familiar, governança clara e planejamento sucessório definido. Fora desse contexto, a conversão resolve um problema operacional sem necessariamente construir a proteção patrimonial que a família precisa para o longo prazo.

Adaptar é uma forma de preservar

Há uma distinção importante entre abandonar um legado e evoluir a forma como ele se expressa. Famílias que convertem ativos industriais em estruturas de renda passiva não estão abrindo mão do que construíram. Estão reconhecendo que o legado não está na fábrica, no galpão ou na operação em si, mas na capacidade de gerar riqueza e de sustentar as próximas gerações com segurança e eficiência.

Rodrigo Gonçalves Pimentel conclui que essa distinção é o que separa famílias que preservam patrimônio ao longo de gerações daquelas que o dilapidaram por insistir em formas que o tempo tornou ineficientes. Adaptar a estrutura do ativo às condições do presente não é trair o passado. É honrar o esforço de quem construiu algo valioso o suficiente para merecer uma forma mais inteligente de continuar existindo.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

 

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