Estado fica atrás apenas de São Paulo em número de finalistas e reforça posição de Belo Horizonte como um dos ecossistemas de tecnologia que mais crescem no mundo.
Minas Gerais confirmou, nas últimas semanas, que seu ecossistema de tecnologia deixou de ser promessa para se tornar realidade concreta no cenário nacional. O estado colocou quatro empresas entre as 30 finalistas do Prêmio Sebrae Startups 2026, competição que reúne as iniciativas mais inovadoras do país, ficando atrás apenas de São Paulo, que emplacou seis representantes. A lista com as selecionadas foi divulgada pelo Sebrae na última sexta-feira, e mostra que a força do setor mineiro não está concentrada apenas na capital: Uberlândia, São Sebastião do Paraíso e municípios do interior também aparecem representados entre as finalistas. O resultado chega em um momento de visibilidade crescente para Belo Horizonte, que já vinha sendo apontada por relatórios internacionais como um dos polos de inovação que mais avançam no mundo.
Para quem acompanha o dia a dia da economia mineira, a pergunta mais comum diante desse tipo de notícia costuma ser a mesma: afinal, o que essas startups fazem, e por que isso importa para além do universo dos investidores. A resposta passa por entender que boa parte dessas empresas resolve problemas concretos, como monitoramento de rios para prevenir enchentes, gestão financeira para pequenos empreendedores e manutenção preditiva de equipamentos industriais, áreas que dialogam diretamente com desafios que o próprio estado enfrenta no campo, na indústria e nas cidades.
Quem são as startups mineiras finalistas
Entre as quatro representantes de Minas Gerais, a Melvin, de Belo Horizonte, disputa a categoria de neoindustrialização e produtividade industrial. A empresa oferece um software de gerenciamento de manutenção para equipamentos industriais, combinado a um hardware próprio: um sensor sem fio capaz de detectar falhas antes que elas se tornem um problema maior para a linha de produção. Segundo o CEO da empresa, Igor Silveira, a solução usa inteligência artificial e outras tecnologias associadas à chamada indústria 4.0, e já atende mais de 180 clientes e mais de 700 plantas industriais em sete anos de atuação no mercado.
Já a Asthon Tecnologia, de Itajubá, no Sul de Minas, concorre na categoria de impacto social e govtechs. A empresa, fundada há três anos pelos sócios Vitória Baratella e Caio Borges, desenvolveu um sistema que monitora o nível de rios e o volume de chuvas, oferecendo um software de visualização dessas informações para apoiar a tomada de decisão em situações de risco. Esse tipo de tecnologia ganha peso especial em um estado que, historicamente, convive com episódios de enchentes e deslizamentos em diferentes regiões durante o período mais chuvoso do ano.
A UP Vendas, de São Sebastião do Paraíso, disputa a categoria de inovação financeira com uma proposta voltada à bancarização de revendedoras e empreendedores de venda direta, oferecendo acesso a crédito, carteira digital, links de pagamento e ferramentas de prevenção a fraudes. Já a AZ Ship, sediada em Uberlândia, foi selecionada na categoria de logística e mobilidade, com uma plataforma que centraliza a gestão de fretes e transportes rodoviários, automatizando desde a cotação de ofertas até o monitoramento de cargas e a comprovação de entregas. O evento de premiação está marcado para o dia 25 de julho, com palestras e oficinas práticas para todos os finalistas.
Por que Belo Horizonte virou referência em tecnologia
O bom desempenho mineiro no prêmio do Sebrae não é um fato isolado, mas parte de um movimento mais amplo que vem colocando a capital mineira no radar internacional. O Global Tech Ecosystem Index 2025, elaborado pela Dealroom.co, posicionou Belo Horizonte como o quarto ecossistema de tecnologia que mais cresce no mundo, e o primeiro da América Latina na categoria conhecida como Rising Stars, que avalia critérios como crescimento no valor de mercado das empresas, volume de startups em expansão e maturidade dos fundos de investimento locais. Segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, o estado já reúne cerca de 1,4 mil startups e empresas de base tecnológica, empregando mais de 36 mil profissionais.
Esse crescimento tem se refletido também na quantidade de eventos que passaram a escolher Minas Gerais como sede. Foi o caso do Fórum Brasileiro de Deep Techs 2026, que teve Belo Horizonte como primeira parada do ano, reunindo mais de 80 especialistas e representantes de mais de 60 instituições em um showcase dedicado a startups de base científica. A capital mineira também sediou, em junho, o Minas Summit, considerado o maior evento de inovação corporativa do estado, com cerca de 11 mil participantes, 200 expositores e expectativa de movimentar até R$ 60 milhões em negócios fechados ao longo dos dois dias de programação.
A chegada de grandes empresas de tecnologia à cidade reforça esse cenário. O Google for Startups levou a Belo Horizonte uma edição do seu programa Pop Up, voltado a acelerar fundadores locais por meio de mentorias individuais e sessões técnicas sobre inteligência artificial generativa, incluindo demonstrações práticas de ferramentas recentes da própria companhia. Iniciativas como essa mostram que grandes players do setor já enxergam o ecossistema mineiro como maduro o suficiente para justificar investimento direto em capacitação e networking com fundadores locais.
O que esperar do setor de tecnologia em Minas Gerais daqui para frente
Para empreendedores que estão começando agora, esse conjunto de resultados funciona como um sinal de que o caminho para captar investimento e ganhar visibilidade nacional passa cada vez menos, exclusivamente, pelo eixo Rio-São Paulo. A presença de quatro finalistas mineiras em um prêmio nacional tão concorrido mostra que investidores e organizadores de eventos já enxergam valor em soluções desenvolvidas fora do tradicional eixo Sudeste mais central, incluindo cidades do interior como Itajubá, Uberlândia e São Sebastião do Paraíso.
Do ponto de vista de quem mora e trabalha em Minas Gerais, esse movimento também deve significar mais oportunidades de emprego qualificado nos próximos anos, à medida que empresas como a Melvin ampliam o número de clientes e precisam contratar equipes técnicas para sustentar esse crescimento. Some-se a isso a chegada de eventos internacionais e programas de aceleração, que tendem a atrair ainda mais capital de risco para financiar novas rodadas de investimento em startups locais, fortalecendo um ciclo que já vinha se consolidando ao longo dos últimos anos.
O calendário de 2026 ainda reserva outros encontros importantes para quem acompanha o setor de perto, incluindo o tradicional HackTown, realizado anualmente em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, cidade que carrega a alcunha de Vale da Eletrônica e que segue como um dos berços históricos da inovação tecnológica no estado. Combinado ao desempenho recente no Prêmio Sebrae Startups e ao reconhecimento internacional recebido por Belo Horizonte, esse cenário indica que a tecnologia mineira deve continuar ganhando espaço tanto no noticiário econômico quanto no dia a dia de quem já sente, na prática, os efeitos dessas soluções em setores como indústria, finanças e prevenção de desastres naturais.
Fontes: Diário do Comércio | Agência Sebrae de Notícias | Diário do Comércio, Fórum Deep Techs

