Paulo Roberto Gomes Fernandes considera que a discussão sobre hidrogênio em redes de gás não pode ser tratada como simples troca de combustível, pois envolve integridade, compatibilidade de materiais e mudanças no modo de operar. Em 2026, muitos projetos falam em “aproveitar a infraestrutura existente”, porém a viabilidade depende de critérios objetivos, com avaliação de risco por trecho, revisão de componentes e governança de manutenção para evitar que a pressa produza fragilidades invisíveis.
A questão central não é apenas transportar uma nova molécula, e sim controlar como ela interage com aço, soldas, vedação e estações ao longo do sistema. Nesse contexto, a decisão entre misturar hidrogênio ao gás natural ou converter uma linha para uso dedicado exige diagnóstico técnico, plano de adequação e metas realistas de desempenho.
Mistura e conversão: duas estratégias que não pedem as mesmas respostas
Misturar hidrogênio ao gás natural costuma ser apresentado como rota incremental, pois tenta reduzir emissões sem reinventar toda a rede. Contudo, o percentual de mistura e a continuidade do fornecimento variam conforme a cadeia a jusante, incluindo consumidores industriais, equipamentos domésticos e padrões de qualidade do gás. Desse modo, a escolha precisa considerar limites operacionais e requisitos de mercado, não apenas a ambição ambiental.
Converter um gasoduto para hidrogênio dedicado é outra lógica. Nessa alternativa, o sistema passa a exigir especificações mais rigorosas para materiais, inspeção e controle de vazamentos. Paulo Roberto Gomes Fernandes ressalta que o erro comum é tratar conversão como atualização pontual, quando, na prática, ela se aproxima de um novo ciclo de projeto, com requalificação, comissionamento e critérios próprios de integridade.
Materiais, soldas e o desafio da compatibilidade ao longo do ciclo de vida
A compatibilidade envolve mais do que “o tubo principal”. Válvulas, juntas, conexões, vedações, compressores e instrumentos também entram no risco, pois o desempenho do conjunto depende do ponto mais frágil. Nesse sentido, Paulo Roberto Gomes Fernandes indica que a avaliação precisa mapear a linha por trechos e por componentes, diferenciando idade, histórico de operação e condições de corrosão já existentes.

Outro aspecto é que o hidrogênio pode ampliar a sensibilidade a determinados mecanismos de degradação, exigindo atenção a microdefeitos, soldas e pontos de concentração de tensão. Por conseguinte, uma estratégia de integridade robusta combina inspeção orientada por criticidade, atualização de procedimentos e rastreabilidade das decisões de engenharia, evitando medidas genéricas para toda a malha.
Compressão, medição e segurança: o que muda na operação diária
Mesmo quando a integridade do duto é satisfatória, a operação pode precisar de ajustes. Sistemas de compressão, por exemplo, podem exigir revisão de compatibilidade e eficiência, enquanto medição e controle de qualidade precisam acompanhar variações de composição. Assim, a confiabilidade do fornecimento passa a depender de instrumentação coerente e de protocolos que suportem cenários de operação degradada.
Paulo Roberto Gomes Fernandes observa que a segurança também muda de patamar quando a rede passa a lidar com maior exigência de detecção e resposta. A lógica de prevenção inclui rotinas de inspeção, validação de alarmes e treinamento de equipes para atuar com rapidez, sobretudo em pontos com maior densidade populacional ou proximidade de áreas sensíveis. Logo, a adaptação ao hidrogênio não é só engenharia de projeto, ela se estende à cultura operacional.
Critérios de decisão em 2026: quando adaptar, quando reconstruir, quando esperar
A decisão responsável costuma responder a três perguntas: qual é o objetivo do projeto, mistura ou conversão; qual é a condição real do ativo, por trechos e componentes; qual é o nível de risco aceitável para a operação e para o entorno. A partir disso, surgem caminhos distintos: reforçar manutenção e inspeção para pequenas misturas, requalificar e modernizar estações para conversões parciais, ou adiar a mudança até que a cadeia de consumo e a regulação estejam alinhadas.
Paulo Roberto Gomes Fernandes conclui que o hidrogênio pode, sim, entrar na infraestrutura existente, desde que a decisão seja guiada por evidência, compatibilidade e governança de integridade. Em vez de prometer soluções universais, o setor tende a avançar quando define critérios verificáveis, dimensiona limitações e organiza um plano de adaptação que preserve segurança e previsibilidade.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

