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Operação Déjà Vú mira organização suspeita de movimentar R$ 70 milhões com tráfico em Minas Gerais

Oskar Lindven
7 Min de leitura setembro 23, 2026
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Investigação aponta Juiz de Fora como base logística de grupo que teria distribuído drogas para Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo; operação cumpre mandados de prisão, busca e bloqueio de patrimônio

Contents
Operação cumpre mandados em quatro cidades de Minas GeraisGrupo teria usado imóveis de alto padrão e veículos adaptadosInvestigação também apura lavagem de dinheiro

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, a Operação Déjà Vú para desarticular uma organização criminosa investigada por tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro. Segundo o MPMG, o grupo utilizava Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, como principal ponto de referência para receber, armazenar, fracionar e distribuir entorpecentes.

A operação cumpre 13 mandados de prisão, 30 de busca e apreensão e 26 medidas de sequestro e bloqueio de bens em Juiz de Fora, Barbacena, Piau e Belo Horizonte. A Justiça autorizou o bloqueio de imóveis, veículos, valores em contas bancárias, ativos financeiros e criptoativos até o limite de R$ 70 milhões. (MPMG)

De acordo com a estimativa apresentada pelo Ministério Público, a organização teria movimentado mais de R$ 70 milhões com a venda de drogas ao longo dos últimos 18 meses. As investigações também identificaram imóveis de alto padrão que, segundo os investigadores, eram utilizados como pontos de recebimento, armazenamento e preparação das cargas.

Operação cumpre mandados em quatro cidades de Minas Gerais

A Operação Déjà Vú foi deflagrada na manhã desta quarta-feira e concentra ações em quatro municípios mineiros. Além de Juiz de Fora, os mandados são cumpridos em Barbacena, Piau e Belo Horizonte. As ordens judiciais têm diferentes objetivos, incluindo prisões de investigados apontados como integrantes dos núcleos de comando e logística da organização.

As medidas de busca e apreensão foram autorizadas para permitir a coleta de provas relacionadas às atividades investigadas. Já os bloqueios patrimoniais têm como objetivo atingir recursos e bens que, de acordo com a investigação, estariam relacionados à estrutura financeira do grupo. O limite determinado judicialmente chega a R$ 70 milhões.

Durante as primeiras diligências, as forças de segurança informaram ter apreendido veículos, uma arma de fogo, imóveis e uma quantidade significativa de drogas. Também foram localizados um laboratório utilizado para o refino de entorpecentes e um bunker que, segundo o MPMG, funcionava como depósito.

Além dos mandados de prisão expedidos pela Justiça, três pessoas haviam sido presas em flagrante durante o cumprimento das ordens judiciais. O balanço da operação ainda poderia ser atualizado ao longo do dia, conforme o avanço das diligências e a análise do material recolhido.

Grupo teria usado imóveis de alto padrão e veículos adaptados

As investigações apontam que Juiz de Fora funcionava como uma espécie de entreposto para o esquema. Segundo o MPMG, os entorpecentes eram obtidos no interior de São Paulo, no Paraná e na Região Metropolitana de Belo Horizonte antes de serem encaminhados para a Zona da Mata mineira.

A partir dessa região, as drogas seriam distribuídas para traficantes no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, além de abastecer o mercado local. A investigação começou a partir da troca de informações entre setores de inteligência do Ministério Público e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Durante o período investigado, quatro episódios de tráfico identificados pelas autoridades resultaram na apreensão de 195 quilos de pasta-base de cocaína e 476 quilos de maconha. Conforme o Ministério Público, essas apreensões provocaram um prejuízo estimado em R$ 7 milhões à organização investigada. (MPMG)

Para transportar as cargas, os investigadores identificaram diferentes estratégias. Entre elas estavam caminhonetes modificadas com compartimentos ocultos sob a carroceria, veículos utilizados para escolta e o emprego de empresas de guincho que, segundo a investigação, poderiam ser acionadas para recuperar veículos e cargas em caso de problemas nas rodovias.

Investigação também apura lavagem de dinheiro

Além do tráfico interestadual, a Operação Déjà Vú investiga uma estrutura de lavagem de dinheiro. De acordo com o MPMG, os recursos obtidos com a venda de drogas eram utilizados na aquisição de veículos e imóveis registrados em nome de terceiros, além de serem movimentados por meio de atividades comerciais aparentemente lícitas.

Os investigadores também apontam que integrantes identificados como lideranças do grupo utilizavam identidades civis falsas. A estratégia, segundo o Ministério Público, buscava dificultar a identificação dos responsáveis pela organização e a localização dos recursos relacionados às atividades criminosas.

O uso de criptoativos também aparece entre os mecanismos atingidos pelas medidas judiciais. A decisão autorizou o bloqueio de ativos dessa natureza, além de valores em contas bancárias, investimentos, veículos e imóveis, com o objetivo de reduzir a capacidade financeira da organização investigada.

A investigação ainda reúne diferentes forças de segurança. Participam da operação integrantes do MPMG e do Gaeco, policiais militares, policiais civis, policiais penais e agentes da Polícia Rodoviária Federal. Também atuam equipes especializadas e unidades de aviação e inteligência.

A operação representa uma nova etapa das investigações sobre a estrutura logística e financeira atribuída ao grupo. A partir da apreensão de documentos, equipamentos e outros materiais, os investigadores deverão analisar as informações para identificar outros possíveis integrantes, rotas utilizadas e movimentações financeiras relacionadas ao esquema.

As informações divulgadas até o momento correspondem às investigações e às medidas autorizadas pela Justiça. Os suspeitos são investigados e os processos deverão seguir os procedimentos judiciais previstos, com possibilidade de apresentação de defesa e recursos conforme cada caso.

O caso também chama atenção pela dimensão financeira atribuída à organização. A estimativa de mais de R$ 70 milhões movimentados em 18 meses e o bloqueio patrimonial autorizado no mesmo limite mostram que a investigação não está concentrada apenas na apreensão de drogas, mas também na tentativa de atingir a estrutura econômica utilizada para sustentar as atividades investigadas.

Com a continuidade da operação, novas informações poderão ser divulgadas pelas autoridades sobre prisões, apreensões, valores bloqueados e demais elementos encontrados durante o cumprimento das ordens judiciais.

Fontes: Ministério Público de Minas Gerais – Operação Déjà Vú · Estado de Minas – Operação Déjà Vú · Tribuna de Minas – Operação em Juiz de Fora

 

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